Maior reservatório de água do Nordeste deve chegar a 0% no fim de 2016

16 set Maior reservatório de água do Nordeste deve chegar a 0% no fim de 2016

Reservatório de Sobradinho está localizado no norte do estado da Bahia. Governo já pediu redução do volume de água que sai do reservatório.

Foto: Agência Estado

Foto: Agência Estado

O ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, afirmou nesta quarta-feira (14) que o reservatório de Sobradinho, no norte da Bahia, deve chegar a zero do volume útil até o final de 2016. Assim, só restaria no reservatório o chamado volume morto. A represa é a maior da região Nordeste e tem sofrido com a falta de chuvas dos últimos anos.

Segundo o ministro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que monitora a situação dos reservatórios que atendem às hidrelétricas brasileiras, apontou que se o volume de chuvas de 2017 for o mesmo de 2016 e a vazão de água de Sobradinho for mantida, a represa pode chegar no final de 2017 com volume negativo em 15%, ou seja, abaixo do volume morto.

O governo já encaminhou à Casa Civil, para análise, um pedido da Chesf, subsidiária da Eletrobras e responsável pela Usina Hidrelétrica de Sobradinho, para reduzir a vazão de água do reservatório de 800 metros cúbicos por segundo para 700 metros cúbicos por segundo.

O pedido de redução, no entanto, enfrenta resistência de órgãos ambientais como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e de companhias estaduais de água.

“Essas companhias teriam que fazer investimentos Sobradinho abaixo para poder adequar as captações, não só para abastecimento humano mas também para irrigação”, afirmou o ministro a jornalistas.

Recuperação

Coelho Filho disse ainda que deve ser preciso dois invernos, que é o período chuvoso do Nordeste, com chuvas acima da média, para que o reservatório se recupere.

“No fundo, no fundo, a gente precisa de uns dois invernos melhores para que a gente tenha um certo grau de segurança nos reservatórios para a gente poder voltar a ter um mix mais favorável na composição do preço de energia do Nordeste”, disse.

O ministro destacou que algumas obras podem ser feitas para ajudar na recuperação do reservatório, entre elas, a construção de uma barragem que impeça a entrada da água salgada no rio, mas que isso é uma solução de médio prazo.

 

Água mais cara

A estiagem tem feito a companhia de abastecimento do Ceará a estudar um aumento no preço da água usada para resfriar as térmicas instaladas no estado. A situação pode restringir a operação das usinas termelétricas Pecém I e Pecém II que, apesar de produzirem energia por meio da queima de carvão, precisam também de água para funcionar.

Sem as térmicas, o ONS estima um aumento de até R$ 750 milhões no custo de geração elétrica no país até o final de 2016.

Segundo o ministro, o governo tem monitorado o aumento do preço da água para evitar um impacto muito grande no custo da energia.

Uma possível solução para o caso seria investir em dessalinização da água do mar. O processo não utilizaria água do reservatório e permitiria a continuidade da operação das termelétricas. No Brasil, a tecnologia é utilizada principalmente na região Nordeste, que tem baixa pluviosidade e são instalados sistemas para purificar a água salobra (com concentrações de sal menores que a do mar) do subsolo. Confira esta matéria e entenda.

Fonte: G1