Marina Grossi: “Sustentabilidade não é custo, mas investimento e lucro”

27 maio Marina Grossi: “Sustentabilidade não é custo, mas investimento e lucro”

Presidente do CEBDS afirma que a crise política e econômica não é justificativa para as empresas deixarem de lado a preocupação com o meio ambiente

Em tempos de crise econômica, muitas empresas precisam reduzir os gastos para ajustar o orçamento. E não é raro os investimentos em sustentabilidade serem um dos primeiros a ser cortados. Para Marina Grossi, economista e presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), essa atitude é um grande erro tanto para a sociedade como para a reputação e para os lucros das empresas.

Marina Grossi, presidente do CEBDS (Foto: divulgação/ CEBDS)

Marina Grossi, presidente do CEBDS (Foto: divulgação/CEBDS)

Em tempos de crise econômica, muitas empresas precisam reduzir os gastos para ajustar o orçamento. E não é raro os investimentos em sustentabilidade serem um dos primeiros a ser cortados. Para Marina Grossi, economista e presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), essa atitude é um grande erro tanto para a sociedade como para a reputação e para os lucros das empresas.

 

ÉPOCA – Nos últimos anos, muitas empresas aumentaram seus investimentos em iniciativas ambientais. Com a crise econômica, é comum que esses investimentos sejam cortados. Qual a consequência disso para as empresas e para a sociedade?
Marina Grossi – Neste momento, empresas, cidadãos e governo estão repensando seus gastos e priorizando ações e iniciativas que têm para si maior importância estratégica. Nesse sentido, é imprescindível que as empresas consigam enxergar a oportunidade gerada por ações em sustentabilidade, ainda mais nestes momentos de crise. Ao fazer isso, as empresas estarão agregando valor a suas iniciativas, e a área pode ganhar não só novos investimentos, mas também foco dos gestores e atenção para ações mais emblemáticas.

 

ÉPOCA – Por que as empresas devem priorizar a sustentabilidade, mesmo em anos de crise?
Marina – Muitas empresas já começaram a entender que sustentabilidade não é custo, e sim investimento e lucro. Os retornos são de médio e longo prazos, mas os benefícios em reputação e competitividade são notáveis. A sustentabilidade tem grande função para aprimorar a percepção de riscos anteriormente internalizados no custo da empresa. Por exemplo, a baixa preocupação ambiental que gera o aumento de despesas em multas ou a diminuição da credibilidade.

 

ÉPOCA – Qual é o papel das empresas no combate aos impactos ambientais?
Marina – O setor empresarial é grande aliado no combate aos impactos ambientais. Também é papel dele promover ações de conservação e recuperação da biodiversidade e recursos hídricos, gestão e redução de emissões de gases de efeito estufa, efluentes e resíduos. Além disso, o próprio setor empresarial é responsável por dar à sociedade soluções tecnológicas para alcançar as metas de combate aos impactos ambientais.

 

ÉPOCA – Já existem no Brasil uma consciência e preferência do consumidor por produtos de empresas que respeitem o meio ambiente e se preocupem com procedimentos de sustentabilidade?
Marina – De forma embrionária, mas já perceptível. A busca pela transparência de informações é uma realidade cada vez mais presente. O Instituto Akatu, uma organização não governamental que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente, afirma que o consumidor já está atento a empresas envolvidas em escândalos relacionados a direitos humanos como trabalho escravo, maus-tratos de animais e outras questões pontuais. Ainda assim, é importante mencionar que há um longo caminho para que, de fato, a sustentabilidade passe a ser incorporada como um valor intrínseco no processo de escolha.

 

ÉPOCA – A senhora acredita que a crise econômica pode piorar a crise ecológica?
Marina – Potencialmente, sim, mas isso seria um grande erro. Quando a economia se desacelera, novas fontes de renda são visadas por diferentes estratos da sociedade – seja em nível individual, com pessoas cortando ilegalmente árvores para venda; seja em nível corporativo, com empresas mais preocupadas com o lucro imediato do que com sua sustentabilidade futura e preterindo a segunda pela primeira; seja em nível governamental, com a flexibilização de diversas proteções socioambientais com a justificativa de aquecimento da economia. Não é possível sair da crise se insistirmos nessas soluções de curtíssimo prazo.

 

ÉPOCA – Muitas das grandes empresas parecem já ter aprendido a importância do cuidado com o meio ambiente. Em meio a uma crise econômica, com tantas preocupações financeiras urgentes, qual seria o caminho para despertar a consciência e o interesse por sustentabilidade nos pequenos e médios empresários?
Marina – De forma correlata às grandes: mostrando claramente qual o impacto real dessa conscientização para o dia a dia de seu negócio. Os pequenos e médios empresários têm de se atentar tanto às consequências de alterações ambientais, que provavelmente os atingirão com mais força, já que sua capacidade adaptativa é menor, quanto ao impacto que sua presença tem localmente. Por exemplo, a regularização do uso da água de uma pequena fábrica trará menor chance de multas ou outros custos e possivelmente maior capacidade de eficiência de sua operação.

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Fonte: Blog do Planeta

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